O Rufinho e seu Rocim

Olha lá o que me aconteceu!
A mãe ontem teve de ir ao Museu do Teatro, lá para os lados do Lumiar. Como seria de esperar, perdeu-se pelo caminho e enquanto se procurava, encontrou este rocim a teimar que era meu! Ela disse: "Pois, mas agora não dá.. Repara: estou perdida, cheia de pressa e muito longe da nossa casa." Mas ele, nada. Toca de se atrelar à mãe, sempre a teimar! Eu, sinceramente, não me lembrava dele, mas parece que ele se lembrava muito bem de mim! Seja como for, acho que fazemos um bom par de viajeiros! Olha lá:


A toda a brida...

Lembras-te do poema que a tia Olga me ensinou quando eu era pequenino? Desconfio que ela já sabia do Rocim... Era assim:

Vai a galope o cavaleiro e sem cessar
galopando no ar sem mudar de lugar.

A galopa, galopa, galopa, parado,
e galopa sem fim nas tábuas do sobrado.

Oh, que bravo corcel, que doidas galopadas,
- crinas de estopa ao vento e as narinas pintadas!

Em curvas pelo ar, em velozes carreiras,
o cavalo de pau é o terror das cadeiras!

E o cavaleiro nunca muda de lugar,
a galopar, a galopar, a galopar!...

(Afonso Lopes Vieira)

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