Gateau de biscuits des jours ancients...


Esta é do pai para o pai!...

O Meu Primeiro Bacalhau..

Bacalhau Taqsim

Pega-se numa posta de Bacalhau que tenha andado a viajar numa mala perdida num vôo Lisboa-Paris durante 2 meses, demolha-se durante vários dias até se parecer com uma posta de peixe normal e a casa ficar a cheirar à Rua do Arsenal.. Escalda-se em água a cerca de 100º durante 11 minutos e meio e retiram-se as partes repulsivas, espinhas e tudo o que não se perceba o que é.. desfia-se à maneira antiga.. Ao mesmo tempo, já as batatas cortadas aos pares, e as cenouras cortadas a meio, na longitudional, cozem em abundante água potável e com sal suficiente para ninguem se queixar.. no momento certo afunda-se um ovo por pessoa no tacho das batatas e cenouras e deixa-se cozer até um pouco antes de explodir.. Corta-se uma cebola em 2 fatiando-se depois cada metade em 17 partes diferentes.. azeite q.b. na frigideira e alouram-se os 34 semi-circulos.. neste momento acrescentam-se as cenouras já cozidas mas não em puré, cortadas com a faca do pão, em fatias de cerca de 3mm de espessura.. a utilização de uma faca invulgar dá às cenouras a tradicional superficie estriada, imprescindivel nesta receita.. quando as cenouras tiverem uma coloração amarelo-crocante, acrescenta-se o bacalhau desfiado e salteia-se sem sujar o fogão.. repetir a operação até que ele fique estaladiço sem ficar incomestível.. os pedaços de batata devem ser cortados em fatias de uma determinada dimensão e estas, espalhadas de forma a cobrir o prato.. no centro, amontoa-se uma porção do que estiver na frigideira.. verte-se azeite em torno do monte, perfazendo 720º.. descasca(m)-se o(s) ovo(s), corta-se cada um de cima abaixo, na direcção de Colombo e colocam-se, de gema virada para baixo, no rebordo do prato, ponta das metades encostada uma à outra.. 

Opção: Improvisar a receita descrita ouvindo um Palestiniano a tocar Oud.. Chama-se Taqsim à arte da improvisação Àrabe e, pode ser feita numa das 96 Maqams, o equivalente Àrabe das escalas Ocidentais.. Foi o Palestiniano mencionado quem me sugeriu ouvir o Iraquiano (Naseer Shamma), e com razão.. Clique-se em CLICK! e deixe-se carregar para não haver interrupções.. 



A seguinte fotografia respeita a técnica do senhor Aparicio, que era quem tirava sempre as fotografias para a ementa de um famoso tasco de Alfama que fechou em 1981 para obras e não voltou a abrir porque o dono ouviu dizer que a pesca do Caranguejo do Alasca era mais rentável mas esgorregou ao entrar no barco, ganhou medo ao mar e é agora proprietário de uma Gelataria Italiana chamada Narcisio, em Córdoba - Argentina, onde vive em segredo com a sobrinha do Sr. Aparicio que entretanto se demitiu da Associação Portuguesa de Subbuteo, se dedicou a tempo inteiro à Federação Portuguesa de Jogos de Tasca, embora tenha deixado de beber, e tem ganho uns trocos a jogar ao Dominó o que, juntando à reforma da barbearia onde rapou bigodes a maior parte da sua vida, sempre vai dando para os cigarros e para os amendoins..atirou a sua antiga Pentax ao tejo, e pensa que a sobrinha está a fazer Erasmus, ou lá o que é, no sul de Espanha..


Quando as cebolas são cortadas, as suas células são quebradas. As células das cebolas têm duas secções, uma com enzimas chamadas alinases e outra com sulfuretos (sulfóxidos de aminoácidos). As enzimas decompõem os sulfuretos produzindo ácido sulfénico. O ácido sulfénico é instável e decompõe-se num gás volátil chamado sin-propanetial-S-óxido. O gás dissipa-se pelo ar e eventualmente chega aos olhos, onde vai reagir com a água para formar uma solução muito fraca de ácido sulfúrico. O ácido sulfúrico irrita as terminações nervosas do olho, fazendo-os arder. Em resposta a esta irritação, as glândulas lacrimais entram em acção para diluir e lavar a irritação. Não obstante, são estes compostos voláteis que dão o sabor característico à cebola, e o aroma agradável quando cozinhada.
 A propósito de Cebolas, conta uma lenda pré-lusitana de Albordoeiros-de-baixo, aldeia natal de um famoso contorcionista, que, por parecer mal um Homem chorar, a sua Mulher lhe prometeu cozinhar toda a vida e que desde aí se manteve a tradição..

Puisque j'ai mis ma lèvre...

Puisque j'ai mis ma lèvre à ta coupe encore pleine ;
Puisque j'ai dans tes mains posé mon front pâli ;
Puisque j'ai respiré parfois la douce haleine
De ton âme, parfum dans l'ombre enseveli ;

Puisqu'il me fut donné de t'entendre me dire
Les mots où se répand le coeur mystérieux ;
Puisque j'ai vu pleurer, puisque j'ai vu sourire
Ta bouche sur ma bouche et tes yeux sur mes yeux ;

Puisque j'ai vu briller sur ma tête ravie
Un rayon de ton astre, hélas ! voilé toujours ;
Puisque j'ai vu tomber dans l'onde de ma vie
Une feuille de rose arrachée à tes jours ;

Je puis maintenant dire aux rapides années :
- Passez ! passez toujours ! je n'ai plus à vieillir !
Allez-vous-en avec vos fleurs toutes fanées ;
J'ai dans l'âme une fleur que nul ne peut cueillir !

Votre aile en le heurtant ne fera rien répandre
Du vase où je m'abreuve et que j'ai bien rempli.
Mon âme a plus de feu que vous n'avez de cendre !
Mon coeur a plus d'amour que vous n'avez d'oubli !

Este é pelos "Polaroids"... Estava perdido no bloquinho que usei na aula da Sophia. Encontrei-o disfarçado de Klimt na véspera do nosso regresso. Li-o como uma resposta do Victor Hugo ao terror do "melhor dia já vivido". "Trouxe-o escondido na algibeira..."

Ia e vinha e a cada coisa perguntava que nome tinha

Foi na passada quinta-feira que fui parar - bastante atrasada e quase sem querer - ao seminário do professor (?) Joaquim Manuel Magalhães. O tema da semana era... Sophia! Surpresa: houve momentos em que acreditei escutar Sophia pela primeira vez. Aqui ficam as memórias escritas de alguns poemas que hei-de agora sempre recordar no timbre "atento" da sua voz:
 
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

*
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

*
Lamentação do Duque de Gândia pela morte de Isabel de Portugal

Nunca mais a tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência.
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

E por falar em Agualusa, este post é para quem talvez nunca aqui venha. Uma outra amante de passados, uma outra amante de Sophia. Uma outra Amante...

Alvaros, Portugal..

Diz que está alguém a ver o Blogue em Álvaro, Oleiros..

Saravá!

Os Comentários são bem vindos..


Paris II

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11
12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

Paris..

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25

Nantes II..

Estas são as fotos não oferecidas.. por isso não apagadas e por isso, em versão mais ou menos colorida..
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
  27
28
29
30
31
32
  33
34
35
36
37
38
39
40