Dado o acinzentado da hora... II

Era já tarde quando a noite lhe roçou os dedos longos. Abreviou o passo e ali ficou um instante ,de olhos negros à escuta. É que mãos de madrugada nunca tais havia visto. Os dedos sem corpo, húmidos de atenção, roubados ao tempo, amantes do sol. Não, era importante ser música naquela dança, ou silêncio naquele olhar. Noite e mãos assim ficaram, tecendo sombras à beirinha uma da outra. Como quem quer pingar, mas não quer partir. Então, uma vez mais, e dado o acinzentado da hora, romperam asas do rigor acidulado do seu beijo.

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